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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Viagem


Este post tinha mesmo que ter nome de novela...

Saímos de Tilcara às 9:30h da manhã numa viagem de 4 horas rumo a La Quiaca. Até lá tudo bem, Sofia dormiu boa parte do trajeto e ficou também um tanto acordada, mas tranquila e sem enjoar. Estava passando Mowgli - El Libro de La Selva e eu aproveitei para aprender um pouco de espanhol.



Tudo bem nesta viagem de ônibus, Sofia ficou cochilando e apreciando a paisagem

Chegando em La Quiaca, pegamos um táxi numa viagem super curtinha, 5 minutos, até a fronteira com a cidade de Villazon na Bolívia. Passamos pela imigração (uma para a saída da Argentina e outra para a entrada na Bolívia) e enfim estávamos na Bolívia. Aqui, vale uma informação muito importante para vocês que pretendem viajar para a Bolívia: no terminal rodoviário de La Quiaca, Argentina, eu fui mão de vaca e me recusei a usar o banheiro porque eles cobravam 2 pesos (+ ou - R$ 0,40). Ao adentrar Villazon, já na Bolívia, não aguentava mais segurar e resolvi buscar o banheiro. Surpresa: tinha que pagar também, no caso 1 boliviano (+ ou - R$0,40, ou seja, o mesmo valor) só que o banheiro não tinha descarga, nem água corrente, apenas papel higiênico, que a gente ganhava assim, cortadinho e enroladinho na entrada ao dar a moedinha pra tia, e dois enormes tonéis de uma água super duvidosa que apresentava sinais claros de lodo, onde boiavam pequenos baldinhos pra você pegar, encher e jogar dentro da privada caso quisesse livrar o próximo usuário da visão de seus dejetos, ou mesmo para os usuários mais corajosos lavarem(?) as mãos. Não ousei tocar naquela água, fiz meu xixi e saí o mais rápido possível daquele terrível baño. Eu veria mais uma meia dúzia no mesmo estilo pelos próximos dias...

Muito bem, assim a gente já pegava o espírito do que seria a Bolívia... 

Pegamos outro táxi até a estação de trem. Essa viagem foi mais longa, eram 12 quadras da entrada da cidade até a estação. Chegamos lá por volta das 12:30h, horário local, que era uma hora a menos com relação à Argentina devido a diferenças de fuso horário, e compramos as passagens de primeira classe para a viagem de trem até Oruro, que sairia às 15:30h.



Estação de Trem de Villazon

Compramos pão, água e ficamos lá esperando o trem na estação, junto a alguns outros mochileiros.





 Sofia estava ainda de bom humor, só que comendo muito pouco. A viagem de trem levaria 16 horas e eu estava super preocupada com ela, com medo de ela enjoar muito, aloprar, surtar por ficar presa no trem, enfim... Estávamos tensos com o que viria... 


Fotinho antes de embarcar
Adeus, Villazon
Por conta disso havíamos comprado as passagens mais caras, acreditando que isso nos proporcionaria um pouco de conforto. Porém... 




Isso aí: primeira classe = semi-leito. É... a viagem seria realmente longa.
E, apesar de meu otimismo no vídeo, o coach não ficou só para nós. Entraram mais uns 7 passageiros. E vocês não acreditam no calor que fez lá dentro! Ar condicionado? Hahaha
Não! Havia dois pequenos ventiladores de parede. O vagão à frente também era de "primeira classe", estava vazio e muito mais fresquinho. Fomos informados que poderíamos todos nos mudar para ele, que estava havendo alguma falha no nosso vagão etc. e tal. Alguns passageiros se mudaram. O problema é que os assentos do outro vagão eram de trás para a frente e eu achei que isso poderia fazer Sofia enjoar. Fernando me garantiu que ele enjoaria. Então decidimos aguentar o calor.  

Mas calma, estou me adiantando! Deixa eu informar sobre o princípio da viagem: ficamos lá esperando o trem partir, assistindo a clipes musicais de bandas locais. Isso foi muito louco! Curtimos muito! Então o trem começou a andar e resolveram botar um filminho: 
Mowgli - El Libro de La Selva. Hunpf. Duas vezes no mesmo dia? Em espanhol?! 

Sofia resistiu bravamente à viagem e ao tédio. Ficou a maior parte do tempo sentada aos nossos pés, brincando com seus bonequinhos e com suas massinhas. Tirou um cochilinho bem na hora em que fomos convidados a desfrutar de uma refeição que estava inclusa em nossas passagens, no vagão restaurante. Ótima refeição, por sinal. 



Refeição inclusa com direito a coca retrô. E Sofia dormindo tranquilamente no meu colo.

A noite foi caindo e, junto com ela, a temperatura. Coloquei uma blusa de mangas compridas porém levinha e um par de calças também levinhas na Sofia, porque ela é muito calorenta e, dormindo no meu colo, costuma passar calor e suar bastante. Mas quando a noite caiu de vez, passamos de inferno a inverno tenebroso e todos aqueles cobertores no fundo do trem passaram a fazer sentido. Eu havia empacotado Sofia em um cobertor quando ela capotou, lá para a meia noite, e ela estava dormindo muito bem, deitada no assento ao lado do meu, que ficou vago, enquanto Fernando se sentou atrás de nós. Mas eu acordei altas horas da madrugada com as pernas tão geladas que fui obrigada a me levantar e pegar mais 2 cobertores. Refiz o pacote envolvendo a Sofia, mas não ficou tão bom quanto o primeiro e ela começou a se mexer demais, até que tive que pegá-la no colo e esquentá-la com o calor do meu corpo, além das 3 camadas de cobertores nos envolvendo. Fernando também me contou que levantou durante a madrugada para pegar mais cobertores. O frio nas minhas pernas nunca passou. Nos pareceu que a temperatura atingiu alguns graus negativos, mas não pudemos comprovar. Por fim, chegamos a Oruro super gelados por volta das 7:00h. Pegamos um táxi da estação de trem até a estação rodoviária e lá já avistamos funcionários vendendo, aos berros, passagens de ônibus para La Paz. Embarcamos em um e foi uma viagem muito surreal.

Primeiro, porque estávamos morrendo de fome e fizemos a loucura de comprar uma empanada de pollo de um vendedor ambulante que adentrou o ônibus com uma caixa de isopor. Dividimos a iguaria, que era muito doce (!?) e não lembrava em nada o sabor do frango, muito menos o sabor das deliciosas empanadas que devoramos na Argentina. Mas aplacou nossa fome. Segundo porque teve a intervenção de dois vendedores ambulantes, que subiram no ônibus em paradas ao longo do percurso. O primeiro fez um discurso de 40 minutos sobre saúde e os malefícios da má alimentação, do choque térmico nas mãos das mamas que cozinham e lavam louça e roupas na sequência, o que traz terríveis dores nas articulações, da absorção pelo nosso corpo (?) da umidade de roupas suadas usadas ao longo do dia... Por fim nos ofereceu, numa super promoção, um milagroso chá chinês (té chino) e um poderoso unguento para aliviar as dores nas articulações das mãos. Para dar mais credibilidade, nos apresentou seu cartão de médico naturalista. Muitos passageiros aproveitaram a promoção.
O segundo ambulante vendia livros. Nos presenteou com a narrativa do enredo de romances dramáticos de um escritor local, de um mexicano e de Paulo Coelho. Pouquíssimos passageiros adquiriram os livros, mas ficamos positivamente admirados com o louvável esforço do senhor em vender livros em um ônibus.

Sofia acordou durante a viagem, engoliu meia garrafa de água e vomitou tudo meia hora depois. A cidade de La Paz é muita alta, a viagem de ônibus levou 4 horas e, ao chegarmos lá, Sofia estava muito abatida, dava dó. Perguntei se ela sentia dor e ela apontou a cabeça. É normal sentir dor de cabeça, enjoos, vertigens e ficar sem fôlego ao fazer uma simples caminhada quando o corpo não está adaptado à altitude. Ela ficou o tempo todo no colo, muito quietinha. Procurei mantê-la hidratada e ela não aceitou muita coisa além de leite e água. Já no trem ela havia comido muito pouco, aceitando basicamente o leite. 


Esperamos na rodoviária de La Paz por duas horas, até que partisse o ônibus com destino a Copacabana. Tomamos café, comemos empanadas de queijo e Sofia bebeu leite. A viagem e a altitude nos abalaram, mas o pior era ver o desânimo da Sofia. E ainda havia mais 4 horas até Copacabana nos aguardando...

Esta viagem foi ainda mais insólita: nas primeiras 2 horas, o ônibus sacudiu fortemente para lá e para cá como se estivesse no mar, devido às péssimas condições da estrada. Sofia dormia em meus braços, para nosso alívio. Nas próximas duas horas, enfrentamos curvas absurdamente sinuosas interrompidas por uma inusitada parada em que todos os passageiros descem para fazer a travessia do lago de balsa motorizada enquanto o ônibus faz o mesmo, só que numa balsa movida a remos. Sofia acordou na balsa e, após atravessarmos, resolvemos fazer um lanche numa lanchonete enquanto esperávamos a travessia do ônibus, que demora mais que a dos passageiros. Comemos um prato típico da Bolívia cujo nome não me lembro, mas que vinha todo solto dentro de uma sacola plástica e incluía uma espiga de milho branco, vagens gigantes, batatas estranhas, tudo cozido na água e sal, e queijo quente derretido. Sofia, com muita fome, aceitou o milho diferente. Voltamos ao ônibus, restavam ainda mais uns 40 minutos de curvas terrivelmente sinuosas, o suficiente para fazê-la vomitar todo o milho branco... Era essa a nossa vibe na etapa final de nossa longa viagem:  


Não sei bem o que escrever aqui
Chegamos à Copacabana, nos dirigimos ao nosso hostel e, após nos instalarmos no quarto, vi, aos poucos, o ânimo e as cores voltando à expressão da Sofia e a ouvi proferir as primeiras palavras do dia. Era por volta das 18h, portanto estivemos em trânsito por mais ou menos 34 horas. Apesar do mal estar, posso dizer que Sofia resistiu bravamente. Ela é guerreira, uma mochileira nata e em alguns minutos já estava animada e sorridente, tagarelando. Isso nos fez respirar aliviados. Porém ela havia ficado muito tempo sem se alimentar direito e o pouco que consumiu, pôs para fora. Urgia que fôssemos providenciar uma refeição mais reforçada para ela e também para nós, então Fernando foi atrás de um mercado no coração da cidade. Essa foi mais uma aventura, mas fica para o próximo post... 




quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

De volta à Tilcara


No fim da tarde estávamos de volta à Tilcara e então tivemos que conversar para decidir nossa próxima parada. Nossa intenção era ir até o Chile, mas logo no início da viagem esta ideia foi abortada por contenção de custos: o Chile é muito caro e vai ficar para um outro mochilão. De onde estávamos, norte da Argentina, o natural seria então irmos para a Bolívia. O nosso maior interesse na Bolívia era visitar o Salar de Uyuni, porém pesquisamos a respeito e concluímos que não seria, de forma alguma, uma opção para a Sofia devido à infra-estrutura precária. Esta seria uma viagem para se fazer no futuro, talvez só nós dois, talvez daqui a muitos anos, com Sofia já bem maior. Por fim, decidimos que ficaríamos mais um dia em Tilcara, conforme nos recomendou uma funcionária do hostel, e sairíamos sábado de manhã de ônibus com destino a La Quiaca, que fica na fronteira com a Bolívia, de lá entrando na Bolívia, cidade de Villazon, para pegar um trem até Oruro. Apenas esta viagem de trem levaria 15 horas, sem contar os trechos de ônibus, me parecia um grande sacrifício para nós e principalmente para Sofia, mas era a melhor das opções. De Oruro, pegaríamos um ônibus até La Paz e de lá, um outro ônibus até Copacabana, que é uma cidade à beira do lago Titicaca. Nos parecia muito adequado passar uns dias lá com a Sofia, ainda mais depois de uma viagem tão desgastante. E então, a decisão mais difícil: considerando que Sofia estava perdendo muito peso e começando a demonstrar sinais de fadiga e saudades do Brasil, percebemos também que era hora de voltar. Nosso desejo era seguir além, passar pelo Peru e chegar ao menos até a Colômbia. Mas tínhamos que respeitar o ritmo da pequena e nos sentir também muito gratos por toda a disposição e boa vontade com que Sofia nos acompanhou durante aquela aventura de já 40 dias. Ela é apenas uma criança de 3 anos incompletos, fomos bem longe com ela e agora era hora de voltar e cuidar especialmente do bem-estar e da alimentação dela para que ela recuperasse o peso. Como eu disse no início do blog, Sofia é a protagonista desta história.

Sobre Tilcara não tenho muito mais a dizer. Mas gostaria de duas coisas: primeira - mostrar mais algumas imagens:


Arte de Tilcara, toda feita em madeira de cactos
Madeira de cactos
Atividade preferida de Sofia: brincar na "praia" (areia)

E segunda, que engloba a Argentina como um todo, e não somente esta última cidade: fomos extremamente bem tratados na Argentina, às vezes com inexplicáveis regalias, e sempre notando admiração e, até mesmo, fascínio do argentino pelo Brasil e pelos brasileiros. Saímos um pouco do itinerário óbvio e engessado que o brasileiro segue ao visitar a Argentina: Bariloche, Buenos Aires, Mendoza, ou seja, basicamente o sul, e nos surpreendemos muito com tudo o que vimos ao nos embrenharmos mais pelo norte, assim como os habitantes locais se surpreendiam ao ver brasileiros naquelas áreas. Estamos positivamente impressionados com a experiência que tivemos na Argentina, desde os lugares lindos, especialmente o inexplorado (pelo menos por nós) e exuberante norte, até as pessoas incrivelmente generosas, amigáveis e calorosas que conhecemos. Quero agradecer pela hospitalidade que este povo lindo nos ofereceu, reafirmar (porque sempre digo isso) que temos muito o que aprender com nossos hermanos e encerrar este post com a afirmação do sociólogo Ronaldo Helal, para nossa reflexão:

"O brasileiro ama odiar o argentino; o argentino odeia amar o brasileiro"


domingo, 11 de dezembro de 2016

Purmamarca


20 minutos de ônibus e chega-se a Purmamarca, cidade onde se encontra o famoso Cerro de los Siete Colores. Não sei se tenho muito a falar sobre essa cidadezinha. Acho que fica mais fácil mostrar um pouco dos vídeos e das imagens que fizemos lá. Melhor que isso, só estando lá, mesmo...










Como vocês podem observar, nem sei o que escrever nas legendas... 












Não vou escrever nada, mesmo. Apenas vejam.
Lembrando que esta foi a cidadezinha onde nos recomendaram ficar hospedados por ser mais acolhedora, porém em minhas buscas online não encontrei nada que pudesse ser reservado. Chegando lá, no entanto, há vários hostels e hospedarias. Provavelmente as agências de viagem nas cidades vizinhas façam as reservas, ou você estando lá encontra hospedagem com facilidade, mas eu não me arrependi de termos ficado instalados em Tilcara. Ainda que Purmamarca seja mesmo encantadora e mágica, Tilcara é um pouco maior e tão encantadora quanto.  Além disso, hospedar-se em Purmamarca é muito mais caro do que em Tilcara, onde é super em conta.

Ficamos um pouco mais do que 4 horas em Purmamarca, comemos algo e, após termos visto a grande atração da cidade, que são os montes coloridos, já não havia mesmo nada mais a fazer. O trânsito intenso de turistas que vimos pela manhã foi se dissipando com o passar das horas e à tarde, quando voltamos à Tilcara, a cidade já demonstrava sinais de que o ápice de movimento já havia mesmo se acabado: muitas barraquinhas de lembranças e bugigangas sendo desarmadas e a quietudade tomando conta. 

Mas as imagens estão aí pra mostrar que Purmamarca, ainda que apenas pela paisagem, vale muito a pena.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Tilcara


Uma cidadezinha, praticamente um povoado. Clima árido, sol forte, ventos intensos e um tanto quanto gélidos (o que nos obrigava a sempre levar um agasalho, não importava o calor que estivesse no sol), 2.465 m de altitude e muitas montanhas. Conforme o ônibus ia se aproximando de Tilcara, percebia-se que o cerco mais e mais se fechava: estávamos chegando ao fim da linha, delimitado pelas singulares montanhas da região. Uma paisagem admirável e ricamente ornada por cactos. 

A primeira surpresa foi chegar à "rodoviária".


"- Não, Fernando, não é pra descer do ônibus ainda. Essa é só uma parada, ele ainda vai à rodoviária.
- Peraí, vou ver com o motorista.
(...)
- Vamos. Essa é a "rodoviária".

Duas cabaninhas de empresas de ônibus numa calçada...
Desce-se do ônibus, dá-se uma olhada ao redor... e a visão é encantadora!



Vista da "rodoviária"
Uma caminhada pelas ruas íngremes de areia e estávamos no hostel. Eduardo, em Buenos Aires, já havia nos dado a dica: brasileiro é tratado com privilégios na Argentina. Assim como em Buenos Aires, embora eu tivesse feito reserva para uma suíte apenas com cama de casal, como sempre faço (e Sofia dorme entre nós), o hostel, alertado por mim de que tínhamos uma criança, generosamente nos surpreendeu com uma suíte bem grande com uma cama de casal e duas de solteiro, no último andar do hostel (uma espécie de "terraço"), o que nos proporcionava conforto extra e uma belíssima vista. 


Pronto: assim, logo de cara, Tilcara ganhava um pedaço de meu coração.

Chegamos no meio da tarde, então fomos apenas conhecer a cidade e já ficamos sabendo de um costume incomum: eles tiram a siesta entre 13:30h e 17h. Neste intervalo, não há praticamente nenhum comércio aberto: nem restaurante, nem mercado, nem padaria, nem lavanderia. Apenas um ou outro café. 

Havia algumas atrações na região e todas envolviam longas e íngremes caminhadas sob o sol. Tivemos que escolher e desconsiderar algumas porque caminhadas sempre envolviam Sofia andando de cavalinho em mim e no Fernando, alternadamente, e, considerando a altitude, o sol e a duração dos percursos, alguns eram realmente inviáveis. Enquanto decidíamos, passeamos bastante pela inusitada cidade:



Não parece o portal para um mundo encantado?
Ruas áridas e (quase) desertas 
Parquinho e amiguinhos para Sofia
Cavalos
Deliciosos pãezinhos de quínua <3
Uma cerveja à noite com a simpática porteña Carol, que conhecemos na excursão à Cafayate 
Dois dias depois, após conhecer bem a pequena cidade, nos decidimos pela visita ao Pucará, uma espécie de parque onde pode-se caminhar entre ruínas anteriores ao período inca e explorar o pitoresco Jardim Botânico das Alturas, repleto de gigantescos cactos. Passeio obrigatório.

No caminho para o Pucará, uma ponte sobre um rio inteiramente seco:




Pausa para uma foto, sempre com montanhas ao redor
"Taptus", segundo Sofia
Mais "taptus"
Ruínas
E mais ruínas
O ponto mais alto do passeio - a "iglesia"
Havia uma equipe de televisão filmando lá, com uma linda modelo russa que...
...nos fez a gentileza de bater uma foto 
Detalhe da tocante inscrição homenageando os arqueólogos

Nosso próximo passeio seria à cidade vizinha de Purmamarca, onde finalmente veríamos o Cerro de los Siete Colores.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Cafayate


Quebrada: Paso estrecho entre montañas; hendidura de una montaña (de acordo com o "Diccionario de la lengua española" online)

No Brasil, quebrada tem um significado totalmente diferente. Mas para eles, é mais ou menos isso aí e a região tem um sem número delas. 

Chegamos com muita fome e logo nos deparamos com La Casa de Las Empanadas. Tudo que queríamos era pedir:


"Doscientos empanadas y una cerveza Salteña, por favor"
Visual do restaurante. E olhe ali ao fundo, que beleza, para quem curte poesia...


As duas senhoras que preparavam as deliciosas empanadas

Empanadas muy ricas, cerveja refrescante, Sofia meio mal-humorada, um passeio pela pequena cidadezinha que, vejo agora, acabou nem inspirando fotos, sorvetinho sabor vino para o Fernando e dulce de leche para mim (Sofia não gosta de sorvete...), mamá para Sofia e em 3 horas estaríamos de volta à estradinha sinuosa.

Paradinha para admirar a paisagem e as lhamas 


E alimentá-las

Sofia dormiu praticamente o trajeto todo da volta, então não houve enjoos nem contratempos. Chegamos em Salta às 19h e nosso próximo destino deveria ser Purmamarca, de acordo com recomendações de Marialaura, nossa adorável guia turística. Purmamarca é a cidadezinha que abriga o famoso Cerro de los Siete Colores e ficava a mais ou menos duas horas de Salta. No entanto, não encontrei, em minhas pesquisas online, nenhum tipo de hospedagem lá, nem no Airbnb, nem em sites de hostels e hotéis. A cidade mais próxima que oferecia reservas online era Tilcara. Tilcara, de acordo com Marialaura, era muito charmosa, tinha um povo muito acolhedor, mas ela gostava ainda mais de Purmamarca porque era menorzinha e mais acochegante. Enfim, como sempre gostamos de viajar com as reservas já feitas para evitar desagradáveis surpresas, decidimos reservar um quarto matrimonial com banheiro privativo em um hostel em Tilcara, mesmo. E para lá partimos, na manhã seguinte.





Salta


Reservamos um quarto pelo Airbnb para ficarmos 3 dias em Salta. Era uma suíte que pertencia a uma enorme casa, porém era totalmente privativo. O único problema é que não vi, quando fiz a reserva, que ele não possuía cozinha. Mas a dona da casa foi generosa e me deixou usar sua cozinha para preparar algo para a Sofia e também nos emprestou seu microondas.


Essa janela aí com sacada era do nosso quartinho

E essa era a vista de lá

Salta é uma cidadezinha charmosa do interior, tem praças, igrejas, museus, montanhas, a famosa e saborosa cerveja Salteña e empanadas. Em Salta comemos bem, porque nos empanturramos de empanadas. As agência de viagem também oferecem excursões para algumas cidadezinhas e povoados próximos, que oferecem paisagens pitorescas e diferenciadas.

"Cabildo" de Salta
Quase todas as cidades de colonização espanhola que visitamos possuem ao menos um "cabildo". É aquela passagem ali ao fundo, na foto. 3 anos atrás estivemos em Cusco, no Peru, e lá também havia cabildos. Eles vêm bem a calhar em dias de muito sol. Sofia sempre entrava neles perguntando se eram uma caverna. 

Sofia posando e fazendo "xis"
Visitamos um museu - linda obra de César Gutierrez

Sofia estava super de bem com a vida neste dia

Nos sentamos na escada do castelo 
Tiramos foto puro amor na praça central
Entre as várias atrações que nos foram recomendadas, escolhemos fazer uma excursão para a quebrada de Cafayate. Iríamos numa van em grupo e o passeio começaria às 7:30h da manhã, com previsão de retorno para as 19h. O trajeto até a cidade contaria com algumas paradas e levaria aproximadamente 4 horas. Haveria estradinhas sinuosas e eu fiquei bem tensa com medo de Sofia enjoar e passar mal pelo trajeto todo. Por sorte ela dormiu, tanto na ida quanto na volta. Acordou por um breve momento bem na parte mais tensa do percurso, em que havia muitas curvas; creio que ela sentiu enjoo pois ficou bem amuada, mas logo adormeceu de novo, o que foi uma ótima decisão.

Pelo caminho há algumas atrações que são as formações rochosas exuberantes e grandiosas daquela região. A van para e a gente desce, admira, faz vídeo e tira foto. Como Sofia estava dormindo e não queríamos que ela acordasse, nos alternamos nestas tarefas. Por isso há poucas fotos em família aqui.





O "Anfiteatro"

Montanhas

Uma das poucas fotos em família deste passeio

Há muitas visões deslumbrantes no caminho, mas nenhuma que pudesse ser registrada com fidelidade em foto ou vídeo. O bom mesmo é estar lá e ver.

Ainda antes de chegarmos a Cafayate, visitamos uma vinícola, tivemos uma aula sobre produção de vinho e fizemos degustação. 






Apesar da minha cara, esse vinho estava ótimo
E então voltamos para a van e finalmente chegamos a...